Nem seja pela canção, ela sozinha não teria esse poder ... no entanto, na intenção de se refazer e sendo
uma melodia bem engembrada nuns versos ricos ... isso me sacoleja!
Tem sido assim desde que "Estrela" me arrebatou ... uma batida rústica,
uma catira deliciosamente sincopada num canto de esperança e paixão.
Assim foi todo aquele espetáculo ... desde o nome tudo ali me pareceia "infinitivamente pessoal"
do número de abertura ao single de um amor da adolescência, passando por melodias que calçaram meus passos noutros grandes momentos .
Confesso-me absolutamente eletrizado por cada acorde ouvido naquela sala ... as palmas acompanhavam
a doce tormenta a qual me lançava ... e ali me devotei silenciosamente
Cada música compunha um rosário de esperança
cada pausa um mistério revelado
cada sorriso uma oração ao presente
Assim vi o quanto o amor vale e valerá a pena, e quanto a festa é tão necessária e
imprescindível ...
Agora me confesso maior que a dor ...
Vejo-me tão somente um vetor do amor!
segunda-feira, 30 de novembro de 2009
terça-feira, 17 de novembro de 2009
Vestibular
Paulo Roberto Parreiras
desapareceu de casa.
Trajava calças cinza e camisa branca
e tinha dezesseis anos.
Parecia com o teu filho, teu irmão,
teu sobrinho, parecia
com o filho do vizinho
mas não era. Era Paulo
Roberto Parreiras
que não passou no vestibular.
Recebeu a notícia quinta-feira à tarde,
ficou tarde
e sumiu.
De vergonha? de raiva?
Paulo Roberto estudou
dura duramente
durante os últimos meses.
Deixou de lado os discos,
o cinema,
até a namoradinha ficou dias sem vê-lo.
Nem soube do carnaval.
Se ele fez bem ou mal
não sei: queria
passar no vestibular.
Não passou. Não basta
estudar?
Paulo Roberto Parreiras
a quem nunca vi mais gordo,
onde quer que você esteja
fique certo
de que estamos de seu lado.
Sei que isso é muito pouco
Para quem estudou tanto
e não foi classificado (pois não há mais
excedentes), mas
é o que lhe posso oferecer: minha palavra
de amigo
desconhecido.
Nesta mesma quinta-feira
Em Nova York morreu
um menino de treze anos que tomava entorpecentes.
Em S. Paulo, outro garoto
foi preso roubando um carro.
ou surgem como cometas ardendo em sangue, nestas noites,
nestas tardes,
nestes dias amargos.
Não sei pra onde você foi
nem o que pretende fazer
bem posso dizer que volte
para casa,
estude (mais?) e tente outra vez.
Não tenho nenhum poder,
nada posso assegurar.
Tudo que posso dizer-lhe
é que a gente não foge
da vida,
é que não adianta fugir.
Nem adianta endoidar.
é que você tem o direito de estudar.
É justa a sua revolta:
seu outro vestibular.
Vestibular - Ferreira Gullar
desapareceu de casa.
Trajava calças cinza e camisa branca
e tinha dezesseis anos.
Parecia com o teu filho, teu irmão,
teu sobrinho, parecia
com o filho do vizinho
mas não era. Era Paulo
Roberto Parreiras
que não passou no vestibular.
Recebeu a notícia quinta-feira à tarde,
ficou tarde
e sumiu.
De vergonha? de raiva?
Paulo Roberto estudou
dura duramente
durante os últimos meses.
Deixou de lado os discos,
o cinema,
até a namoradinha ficou dias sem vê-lo.
Nem soube do carnaval.
Se ele fez bem ou mal
não sei: queria
passar no vestibular.
Não passou. Não basta
estudar?
Paulo Roberto Parreiras
a quem nunca vi mais gordo,
onde quer que você esteja
fique certo
de que estamos de seu lado.
Sei que isso é muito pouco
Para quem estudou tanto
e não foi classificado (pois não há mais
excedentes), mas
é o que lhe posso oferecer: minha palavra
de amigo
desconhecido.
Nesta mesma quinta-feira
Em Nova York morreu
um menino de treze anos que tomava entorpecentes.
Em S. Paulo, outro garoto
foi preso roubando um carro.
ou surgem como cometas ardendo em sangue, nestas noites,
nestas tardes,
nestes dias amargos.
Não sei pra onde você foi
nem o que pretende fazer
bem posso dizer que volte
para casa,
estude (mais?) e tente outra vez.
Não tenho nenhum poder,
nada posso assegurar.
Tudo que posso dizer-lhe
é que a gente não foge
da vida,
é que não adianta fugir.
Nem adianta endoidar.
é que você tem o direito de estudar.
É justa a sua revolta:
seu outro vestibular.
Vestibular - Ferreira Gullar
domingo, 15 de novembro de 2009
República
15 de novembro de 1989, Paulista - PE
A República Federativa do Brasil completava 100 anos e era a primeira vez que uma geração de brasileiros escolheria o seu Presidente, depois de 29 anos sem eleiçoes presidenciais.
Uma criança de quatro anos mal sente o fervilhão pelo qual o País se agita ... mas eu não perdia um único dia do programa eleitoral gratuito ... na minha terra o povo gosta de votar e na minha casa ... nem se fala !
Estrelas vermelhas no peito, almoço posto , nos preparávamos praquele momento único ... depois dali sairíamos de um Bairro longínquo para o centro da Capital a fim de quebrar o gelo imposto pela insensatez ...
A chegada ao centro da Cidade foi grandiosa ... bandeiras, papéis coloridos no chão ... gente sorrindo ... uma verdadeira festa ... lembro que minha mãe vestia jeans e uma camisa branca ... ambos estávamos com um barbudo pintado na camiseta ... e ali na 115ª sessão da 4ª zona eleitoral do Recife ela entregou seus documentos, pegou a cédula e fomos pra cabine ...
Incrivelmente, minha mãe me pergunta ... "Em quem a gente vai votar?!"
Eu respondi com a mesma alegria que repeti no meu primeiro voto ... no Lula !
E desde então política pra mim nunca foi a mesma coisa ...
Voltamos felizes pra casa, repetimos o ritual no segundo turno ... mas deu no que deu né !
A República Federativa do Brasil completava 100 anos e era a primeira vez que uma geração de brasileiros escolheria o seu Presidente, depois de 29 anos sem eleiçoes presidenciais.
Uma criança de quatro anos mal sente o fervilhão pelo qual o País se agita ... mas eu não perdia um único dia do programa eleitoral gratuito ... na minha terra o povo gosta de votar e na minha casa ... nem se fala !
Estrelas vermelhas no peito, almoço posto , nos preparávamos praquele momento único ... depois dali sairíamos de um Bairro longínquo para o centro da Capital a fim de quebrar o gelo imposto pela insensatez ...
A chegada ao centro da Cidade foi grandiosa ... bandeiras, papéis coloridos no chão ... gente sorrindo ... uma verdadeira festa ... lembro que minha mãe vestia jeans e uma camisa branca ... ambos estávamos com um barbudo pintado na camiseta ... e ali na 115ª sessão da 4ª zona eleitoral do Recife ela entregou seus documentos, pegou a cédula e fomos pra cabine ...
Incrivelmente, minha mãe me pergunta ... "Em quem a gente vai votar?!"
Eu respondi com a mesma alegria que repeti no meu primeiro voto ... no Lula !
E desde então política pra mim nunca foi a mesma coisa ...
Voltamos felizes pra casa, repetimos o ritual no segundo turno ... mas deu no que deu né !
sábado, 14 de novembro de 2009
aos verdadeiros !
Eu me rendo ao espetáculo da vida!
com as mãos trêmulas escolho palavras pra dedicar de todo o coração uma longa vida ao afeto que exercitam ... é com pureza d'alma que ofereço a minha alegria à nova história que desponta
desejo com toda fé que os dias sejam verdadeiros e imensos
que a ternura prevaleça diante das discordâncias
que a saúde encha de vigor os abraços
que os beijos adocem as canções
que os passos caminhem indelevelmente
Prossigam fortes, belos, vivos e únicos!
Que a plenitude esteja convosco!
com as mãos trêmulas escolho palavras pra dedicar de todo o coração uma longa vida ao afeto que exercitam ... é com pureza d'alma que ofereço a minha alegria à nova história que desponta
desejo com toda fé que os dias sejam verdadeiros e imensos
que a ternura prevaleça diante das discordâncias
que a saúde encha de vigor os abraços
que os beijos adocem as canções
que os passos caminhem indelevelmente
Prossigam fortes, belos, vivos e únicos!
Que a plenitude esteja convosco!
quarta-feira, 11 de novembro de 2009
Recordar é viver ...
Uso o mesmo caderno pra gritar meus desaforos há mais de dois anos. Inicialmente queria fazê-lo de diário e assim por 3 dias me empenhei nesta missão ... não tive o comprometimento esperado. Ainda assim, não o subutilizei. Ele passara a acolher um verso, uma letra de música e até mesmo o projeto de um romance regional.
Ontem, ao folheá-lo, lendo textos da época de sua chegada me assustei com tamanha beleza ali revelada ...
As emoções penduradas por lá resultaram em situações memoráveis e indeléveis ... reafirmando a máxima de que sendo doce ou amargo ... "tudo passa !'
Ao terminar as leituras, molhei as retinas, respirei fundo e com sorriso de criança fui dormir!
As horas desde então foram salvas pelas pautas do caderno.
Adiante !!
Ontem, ao folheá-lo, lendo textos da época de sua chegada me assustei com tamanha beleza ali revelada ...
As emoções penduradas por lá resultaram em situações memoráveis e indeléveis ... reafirmando a máxima de que sendo doce ou amargo ... "tudo passa !'
Ao terminar as leituras, molhei as retinas, respirei fundo e com sorriso de criança fui dormir!
As horas desde então foram salvas pelas pautas do caderno.
Adiante !!
sábado, 7 de novembro de 2009
pão pão queijo queijo
nada
nem pensar
a estética é tua
não cansa
é você
excessivo
descomedido
expansivo
exagerado
é você !
a tua natureza
o teu humor
a tua luz
acorda!
teu caminho quer você junto ...
com lágrima
com tesão
sem emoção
apático
com palavra
com metáfora
com eufemismos baratos
com despretenções pretenciosas ...
incoerente
inseguro
impertinente
exagerado
ele quer você
do jeito que for
a hora que for
com o humor que for !
nem pensar
a estética é tua
não cansa
é você
excessivo
descomedido
expansivo
exagerado
é você !
a tua natureza
o teu humor
a tua luz
acorda!
teu caminho quer você junto ...
com lágrima
com tesão
sem emoção
apático
com palavra
com metáfora
com eufemismos baratos
com despretenções pretenciosas ...
incoerente
inseguro
impertinente
exagerado
ele quer você
do jeito que for
a hora que for
com o humor que for !
Sobre a exclusão
Por alguns dias (nove pra ser mais exato) excluí o blogue. O fiz, motivado por uma ira infantil ... um descontentamento sem razão que por ora me abalava. Assim, querendo dar um "choque de gestão" nos dias achei por bem mudar uma série de coisas e o blogue foi a primeira, por trazer consigo toda a minha fraqueza, a minha ironia e até mesmo os bons predicados e um razoável trato com as palavras ...
Pois bem, decididamente excluí, fiz um back-up, coração apertado, cabeça a mil ...
disposta a envergar uma nova vida ... pura balela !
Mais uma vez sou convencido de que amores, por mais que nos toquem e nos façam sonhar, são muito pouco diante do milagre da vida ... nada referente à concepção ou o funcionamento de um sistema fisiológico qualquer, mas da nossa fantástica capacidade de se adaptar à realidade e forjar tantas outras dado "o balanço da maré".
Não caberá, em hipótese alguma elegê-los(os amores) como novo centro gravitacional da vida e neles orbitarem nossos dias, sorrisos e canções ... a hora, identifico, prescinda morderadamente de solitude ...
Todavia, confesso que a gente só fica assim até a página dois ... quando o novo amor chegar, caem por terra todas as teorias, baboseiras e lamentos que povoam um coração em recuperação.
Pois bem, decididamente excluí, fiz um back-up, coração apertado, cabeça a mil ...
disposta a envergar uma nova vida ... pura balela !
Mais uma vez sou convencido de que amores, por mais que nos toquem e nos façam sonhar, são muito pouco diante do milagre da vida ... nada referente à concepção ou o funcionamento de um sistema fisiológico qualquer, mas da nossa fantástica capacidade de se adaptar à realidade e forjar tantas outras dado "o balanço da maré".
Não caberá, em hipótese alguma elegê-los(os amores) como novo centro gravitacional da vida e neles orbitarem nossos dias, sorrisos e canções ... a hora, identifico, prescinda morderadamente de solitude ...
Todavia, confesso que a gente só fica assim até a página dois ... quando o novo amor chegar, caem por terra todas as teorias, baboseiras e lamentos que povoam um coração em recuperação.
"Quando um coração que está cansado de sofrer
Encontra um coração também cansado de sofrer
É tempo de se pensar,
Que o amor pode de repente chegar
Quando existe alguém que tem saudade de outro alguém
E esse outro alguém não entender
Deixe esse novo amor chegar,
Mesmo que depois seja imprescindível chorar
Que tolo fui eu que em vão tentei raciocinar
Nas coisas do amor que ninguém pode explicar
Vem nós dois vamos tentar,
Só um novo amor pode a saudade apagar"
Encontra um coração também cansado de sofrer
É tempo de se pensar,
Que o amor pode de repente chegar
Quando existe alguém que tem saudade de outro alguém
E esse outro alguém não entender
Deixe esse novo amor chegar,
Mesmo que depois seja imprescindível chorar
Que tolo fui eu que em vão tentei raciocinar
Nas coisas do amor que ninguém pode explicar
Vem nós dois vamos tentar,
Só um novo amor pode a saudade apagar"
Caminhos Cruzados - Tom Jobim e Newton Mendonça
quebrando
saudades gastas
conversas encerradas
retratos limpos
casa arrumada
visita recebida
vontades contestadas
saudade re-aquecida
A vida grita pelo hoje
o movimento ensaia o presente
a solitute pavimenta os dias
o amor, indelével ... nem se abala!
a realidade, torce, aprimora e encaminha
O sossego se veste
a cançao eternece
o samba padece
e o soriso me aquece!
Indefinidamente o resto da tarde me joga pra frente!
percebo que estou apenas começando ...
conversas encerradas
retratos limpos
casa arrumada
visita recebida
vontades contestadas
saudade re-aquecida
A vida grita pelo hoje
o movimento ensaia o presente
a solitute pavimenta os dias
o amor, indelével ... nem se abala!
a realidade, torce, aprimora e encaminha
O sossego se veste
a cançao eternece
o samba padece
e o soriso me aquece!
Indefinidamente o resto da tarde me joga pra frente!
percebo que estou apenas começando ...
terça-feira, 20 de outubro de 2009
pelas raras flores
Engraçado ...
Tudo segue, o tempo passa
E tem coisas que por mais que relutemos, permanecem ...
Diante delas poderia me opor, sofrer, arrepender
Distante delas não garanto que estaria sorrindo ou aliviado
Enfrentando-as, aprimoro, renovo, me aqueço e decido
Daí, me restará a tentativa, ainda vã, de olhar para frente
Colher uma outra emoção, qualquer uma
e refazer o caminho
Preciso entender as marcas que o caminho de agora imprime
Lê-las com a devida importância
E até Guardá-las, se necessário!
Chegou a hora de considerar a ferida cicatrizada
E ostentá-la tal qual uma medalha de guerra
Carregá-la sorrindo e orgulhoso !
Lutemos noutras frentes, a batalha findou, todos ganharam!
Isso mesmo ... todos ganharam!
A marca que carrego no peito fora gravada em todos
é tão igual e bela quanto a que enfeita o meu fardão
Portanto, vigiemos atentamente os dias que nascerão
Só eles trarão o vigor necessário à nova luta ...
Só eles farão a disforme cicatriz em rara flor !
Aos dias ... Avante!
Tudo segue, o tempo passa
E tem coisas que por mais que relutemos, permanecem ...
Diante delas poderia me opor, sofrer, arrepender
Distante delas não garanto que estaria sorrindo ou aliviado
Enfrentando-as, aprimoro, renovo, me aqueço e decido
Daí, me restará a tentativa, ainda vã, de olhar para frente
Colher uma outra emoção, qualquer uma
e refazer o caminho
Preciso entender as marcas que o caminho de agora imprime
Lê-las com a devida importância
E até Guardá-las, se necessário!
Chegou a hora de considerar a ferida cicatrizada
E ostentá-la tal qual uma medalha de guerra
Carregá-la sorrindo e orgulhoso !
Lutemos noutras frentes, a batalha findou, todos ganharam!
Isso mesmo ... todos ganharam!
A marca que carrego no peito fora gravada em todos
é tão igual e bela quanto a que enfeita o meu fardão
Portanto, vigiemos atentamente os dias que nascerão
Só eles trarão o vigor necessário à nova luta ...
Só eles farão a disforme cicatriz em rara flor !
Aos dias ... Avante!
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